IT Snapshot: 31% dos líderes de TI consideram substituir 20% dos funcionários por agentes de IA em até 3 anos
Mas a pesquisa também mostra que a discussão sobre substituição de postos de trabalho é parte de um cenário mais amplo de transformação e dúvidas internas

Pouco menos que um terço (31%) dos entrevistados para o estudo da Logicalis IT Trends Snapshot, realizado em parceria com a consultoria Stratica, afirma ser plausível que agentes de inteligência artificial (IA) substituam ao menos 20% dos funcionários de escritório de suas empresas em até três anos, enquanto 69% discordam.
Mas a pesquisa também mostra que a discussão sobre substituição de postos de trabalho é parte de um cenário mais amplo de transformação e dúvidas internas. A confiança no uso atual da IA, por exemplo, ainda é um desafio.
Para 65% dos participantes, as decisões estratégicas baseadas em relatórios e resumos gerados por inteligência artificial ainda não são seguras e confiáveis. Ao mesmo tempo, há uma crítica relevante à preparação dos times: 74% afirmam que cursos online oferecidos pelas empresas não são suficientes para habilitar colaboradores no uso produtivo da IA.
Para Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis Brasil, os dados sugerem uma certa resistência das pessoas ao tema de IA, o que pode ser causado por falta de conhecimento, medo de ser substituído ou pouca visibilidade sobre como tirar proveito dela no seu dia a dia. Ele assinala que as empresas precisam, comunicar claramente aos profissionais qual sua visão para aplicação de IA e de automação, qual o papel dos colaboradores e que tipo de oportunidade existe para que possam participar dessa visão. “Transparência sobre a estratégia é fundamental para trazer as pessoas-chave a bordo. Sem estratégia e cultura fortes, nenhum ganho sustentável será possível”, destaca.
O avanço da automação também traz incertezas. A maioria (78%) acredita que a IA pode reduzir a capacidade analítica dos profissionais, e 58% apontam que o uso de ferramentas inteligentes pode mascarar baixa performance. Ainda assim, 63% avaliam que, em até três anos, a IA deixará de ser apenas uma ferramenta de automação básica, ganhando aplicações mais avançadas sugeridas pelas próprias áreas de negócio.
Entre os poucos consensos, está a cultura organizacional: 87% dizem que a produtividade com IA depende mais da cultura da empresa do que da tecnologia em si, reforçando que a transformação não é apenas técnica.
“Mesmo reconhecendo que a IA deve trazer significativos impactos à produtividade dos profissionais, a maioria das empresas ainda não se prepara para essa mudança. Falta capacitação adequada, prioridades tecnológicas estão dispersas e investimentos essenciais não avançam. O resultado é uma contradição evidente: as organizações esperam uma transformação profunda, mas seguem sem um planejamento consistente para enfrentá-la”, conclui Hashimoto.
