Complicado e Perfeitinho

Por The Shift
O que aparecia como indicação, agora se mostra como uma “nova fase” para as startups na América Latina: o ecossistema está em expansão, ainda que mais seletivo. Dados recentes mostram que a região levantou US$ 4,1 bilhões em venture capital em 2025, distribuídos em 681 rodadas, representando uma alta de 13,8% em relação a 2024. Um sinal de recuperação depois da forte retração desde o pico de US$ 17,4 bilhões captados em 2021.
Ao mesmo tempo, outro levantamento do Sling Hub mostra que, considerando todas as modalidades de financiamento (equity, dívida e FIDCs), as startups latino-americanas movimentaram cerca de US$ 9,3 bilhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, em 787 rodadas. O movimento indica que o mercado está amadurecendo.
Se existe uma mudança que vale ressaltar no ecossistema latino-americano de startups, ela está na mentalidade dos investidores. Uma pesquisa com fundos da região indica que:
- 58% têm alta confiança no mercado para os próximos 6 a 18 meses
- 47% pretendem aumentar seus investimentos entre 2026 e 2027
Ao mesmo tempo, o capital agora exige mais disciplina operacional. Os investidores priorizam empresas que demonstram eficiência no uso de capital, governança sólida e caminho claro para rentabilidade. As narrativas ambiciosas, que dominaram o mercado na década passada, já não são suficientes.

Um mercado grande, jovem e digital
Parte da atratividade da América Latina para o capital de risco está em seus fundamentos estruturais. A região reúne mais de 650 milhões de consumidores em cerca de 20 países, com uma população relativamente jovem e níveis crescentes de conectividade digital. Além disso, os custos operacionais para startups podem ser 40% a 60% menores do que nos Estados Unidos, o que torna o ambiente particularmente interessante para modelos digitais escaláveis.
Essas características ajudam a explicar por que a região se tornou um dos mercados emergentes mais observados por investidores globais nos últimos anos. Mas o crescimento recente veio acompanhado de mudanças importantes no comportamento do capital. Se o período entre 2019 e 2021 foi marcado por abundância de capital e expansão acelerada, a dinâmica atual é diferente.
O número total de rodadas caiu ligeiramente: 1,9% a menos em 2025, atingindo o menor nível desde 2017. Ao mesmo tempo, o tamanho médio dos investimentos aumentou. O ticket médio subiu de US$ 5,2 milhões para US$ 6,1 milhões, um crescimento de 16%, refletindo a preferência dos investidores por empresas já testadas no mercado.
Em outras palavras: o capital continua disponível, mas agora é mais seletivo.
Essa mudança também aparece na composição das rodadas. As rodadas iniciais (seed e early stage) representaram 52% de todo o capital investido em 2025, somando cerca de US$ 2 bilhões, um salto de 31,9% em relação ao ano anterior. O dado indica que investidores continuam apostando na criação de novas empresas, mas com critérios mais rigorosos.

Brasil e México concentram a maior parte do capital
Como ocorre desde o início da última década, dois países dominam o ecossistema latino-americano: Brasil e México. Juntos, eles concentraram 78,5% de todo o venture capital investido na região em 2025.
O Brasil continua sendo o principal hub tecnológico da América Latina. O país captou US$ 2,03 bilhões em 2025, distribuídos em 363 rodadas, o equivalente a 52,9% de todo o investimento regional. São Paulo consolidou-se como o principal polo tecnológico da região, com empresas que se tornaram referência global, como Nubank, QuintoAndar e C6 Bank. No levantamento que considera financiamento mais amplo (equity, dívida e outras modalidades), o Brasil também lidera: US$ 4,6 bilhões captados entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, quase metade do capital da região.
O México, por sua vez, vem reduzindo a distância. As startups mexicanas levantaram US$ 980 milhões em 2025, o equivalente a 25,5% do total regional. A Cidade do México se consolidou como um dos principais centros fintech do mundo emergente, impulsionada por fatores como proximidade com o mercado norte-americano, grande volume de remessas internacionais e regulação específica para fintechs. O crescimento foi tanto que, em 2025, as startups mexicanas superaram as brasileiras em captação no segundo trimestre pela primeira vez em 13 anos.
Para saber mais sobre o ecossistema de startups na América Latina, leia o artigo completo na The Shift.

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