Cibercrime já virou startup. E escala bem

Por The Shift
Os ataques digitais ficaram mais rápidos, mais automatizados e ainda mais interconectados. O cenário tornou-se bastante complexo. Os riscos, cada vez maiores para organizações e governos. A velocidade com que os cibercriminosos avançam fica evidente em relatórios recentes de segurança cibernética. O tempo médio para detectar uma invasão está em 14 dias – acima dos 11 dias registrados no ano passado. Os ataques exploram simultaneamente vulnerabilidades técnicas, falhas humanas e dependências estruturais da economia digital.
O relatório “M-Trends 2026”, produzido pela Mandiant (Google Cloud), que analisa investigações de incidentes conduzidas em 73 países e em praticamente todos os setores da economia, aponta como a expansão da economia digital está ampliando rapidamente os pontos de entrada para invasores. Em 2025, o estudo registrou 83 campanhas de ataque distintas e 8 grandes eventos globais de ameaças, nos quais diferentes grupos exploraram simultaneamente as mesmas vulnerabilidades ou técnicas de intrusão. Esse tipo de coordenação informal, alimentada por fóruns clandestinos, mostra como o ecossistema do crime digital se tornou altamente colaborativo.
O crescimento da interconexão entre serviços de software, plataformas cloud e cadeias de desenvolvimento ampliou drasticamente o impacto potencial de um único ataque, segundo o relatório da IBM “X-Force Threat Intelligence Index 2026”. Em muitos casos, um único ponto vulnerável em um fornecedor ou plataforma pode abrir caminho para ataques em grande escala.

Vishing, credenciais crescem como vetores de ataque
A ascensão do Vishing era esperada, com a ampliação do uso de Voice AI, mas ainda assim surpreende. Ataques por telefone ou mensagens de voz exploram diretamente o fator humano, muitas vezes simulando executivos ou equipes de TI para convencer funcionários a conceder acesso a sistemas críticos. Essa tendência se alinha com as conclusões do relatório da IBM, que identificou um crescimento expressivo na exploração de aplicações públicas expostas à internet, responsável por 40% dos vetores de acesso inicial em 2025, após um aumento de 44% nesse tipo de ataque em relação ao ano anterior.
O número de grupos criminosos e ferramentas maliciosas também continua aumentando. Segundo o “M-Trends”, 661 novos grupos de ameaças foram identificados em 2025, elevando o total monitorado para mais de 5 mil grupos ativos. Entre eles:
- 41% são motivados financeiramente
- 16% ligados a espionagem
- 4% buscam notoriedade
- 37% têm objetivos ainda desconhecidos
Esse crescimento reflete a profissionalização do crime digital, que hoje funciona como uma verdadeira economia paralela.

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