Eduardo Parajo ingressou na Associação Brasileira de Internet (Abranet), em 2000 e não saiu mais. “Li uma matéria dizendo que a Abranet estava montando um ponto de troca de tráfego (PTT). Nos anos 2000, eu já estava na internet fazia algum tempo; iniciei de 1994 para 95, quando já tinha montado um pequeno provedor de internet, com 32 linhas telefônicas, aqueles barulhos de modem e em 98 eu tirei como o primeiro ASN”, contou em conversa com Jesaias Arruda, atual vice-presidente da Abranet, para o especial de entrevistas que comemoram — e relembram — os 30 anos da Abranet.
Na entrevista, Parajo relembrou os primórdios da internet com o primeiro ponto de troca de tráfego no Brasil alojado na Fapesp, onde ficavam os servidores do registro de domínio .br naquela época e a conectividade vinda da Embratel. Naquele momento, também surgiam provedores gratuitos de acesso e acontecia a transição do acesso discado para os primeiros ADSLs no Brasil.
Os primeiros provedores montaram a infraestrutura da internet com base em linhas telefônicas que se conectaram aos computadores dos clientes — mas muitos, até pela falta de conhecimento acerca da novidade, não sabiam que era preciso ter um computador. “Um colega nosso na época falava que a gente era realmente um professor digital. O provedor ajudou a população a se conectar à internet; isso é um fato isso eu não tenho dúvida disso, foram os grandes professores digitais e de inclusão da população”, destacou.
Ao conhecer a Abranet entendeu que a associação ia além de ser um ponto de troca de tráfego, atuando como um importante polo de discussão sobre os tópicos relevantes para o setor. Nesses 26 anos dentro da associação, ocupou cargos como de presidente. “Comecei a me interessar bastante e continuo achando relevantes as discussões, porque isso impacta e ajuda o futuro do meu negócio.”
Em 2007, Parajo assumiu a presidência da Abranet pela primeira vez, quando se deparou com o desafio de lidar com a discussão que ocorria no Congresso Nacional que queria aprovar uma lei que exigiria que qualquer pessoa para acessar à internet precisaria se identificar. “Tinha de levar um RG ir até o provedor e se identificar para daí então ter acesso a usuário e senha que pudesse ligar ele à internet. Imagina só a catástrofe que ia ser isso, com os provedores recebendo um monte de usuários na sede da empresa”, explicou.
Ao mesmo tempo em que Parajo apontou a evolução no lado técnico nas últimas duas décadas, assinalou que, se a Abranet não tivesse trabalhado o lado burocrático e a questão das leis, talvez a internet não chegaria a ser como é atualmente. “Tinha preocupação muito forte de preservar os princípios básicos de funcionamento da internet e não fazer leis casuísticas para aquele momento, porque a tecnologia evolui muito rápido”, apontou.
Falando sobre o futuro, Parajo ponderou que, cada vez mais, haverá muito mais aplicações ainda na internet disponíveis. “Isso vai continuar sendo um ponto fundamental do avanço da humanidade. Agora a gente tem que sempre usar com muita parcimônia, com muita sabedoria para que a gente consiga avançar nesse cenário como um todo.”



