17,2% dos brasileiros já investiram em criptomoedas
2º Pesquisa Nacional de Criptomoedas mostra avanço da adoção, maior conhecimento sobre ativos digitais e potencial impacto nas eleições

Quase 29 milhões de pessoas (17,2% dos brasileiros) já investiram em criptomoedas; dois em cada três brasileiros (66,4%) conhecem criptomoedas, um aumento de 10,1 pontos percentuais em relação a 2025; 77,6% de quem já colocou dinheiro em cripto ganha até três salários mínimos; e dois em cada três brasileiros com cripto querem um Congresso que proteja os direitos dos usuários de criptomoedas. Esses foram alguns resultados apontados pela 2º Pesquisa Nacional de Criptomoedas de 2026, realizado pela Paradigma Education em parceria com o Datafolha e patrocínio da Coinbase, ABCripto e Hashdex.
Realizada em maio de 2026 com 2.004 entrevistados em 137 municípios, a pesquisa mostra que o mercado amadureceu de forma significativa no último ano. O conhecimento sobre criptomoedas subiu 10,1 pontos percentuais em relação a 2025, alcançado dois em cada três brasileiros (66,4%). O maior crescimento de conhecimento sobre cripto nos últimos 15 meses, por escolaridade, foi entre quem só tem o ensino fundamental. Entre aqueles que conhecem o tema, mas nunca investiram, a principal barreira continua sendo a complexidade do uso da tecnologia (77%) e a falta de informação (42%).
O levantamento também mostra uma mudança importante na percepção sobre os ativos digitais. As criptomoedas deixam de ser vistas apenas como instrumentos de investimento ou especulação e passam a ser cada vez mais associadas à sua utilidade na economia real, tendência reforçada pelo maior crescimento da adoção na região Centro-Oeste, impulsionado principalmente pelo agronegócio. A pesquisa também identificou uma redução da percepção de risco em relação ao setor e uma expansão da adoção entre brasileiros de menor renda.
A integração entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema cripto tem impulsionado a adoção. Entre os investidores, numa pergunta de múltipla escolha, a principal porta de entrada para criptomoedas passou a ser o aplicativo do banco (83%), seguido de carteira própria (26%); 20% compram ativos diretamente em exchanges ou corretoras especializadas.
O levantamento também aponta mudanças no comportamento financeiro dos brasileiros: a poupança perde atratividade como investimento de longo prazo e, entre os que conhecem criptomoedas, 43% acreditam que ações na bolsa oferecem maior potencial de retorno, seguidas pela poupança (30%) e pelas criptomoedas (24%).
A pesquisa indica ainda forte potencial de expansão do mercado: três em cada dez brasileiros familiarizados com criptomoedas pretendem investir nos próximos dois anos, percentual que sobe para 63% entre aqueles que já possuem ativos digitais.
Economia e Eleições – A inflação segue como a principal preocupação econômica dos brasileiros, principalmente na região Sudeste (43.1%). O Centro-Oeste lidera o medo de aumento de impostos (37%) e de um novo confisco do dinheiro guardado (29,3%).
A pesquisa destaca ainda que a regulação dos ativos digitais começa a influenciar o cenário político: 65,8% dos eleitores consideram importante votar em candidatos comprometidos com a proteção dos direitos dos usuários de criptomoedas.