Competição em telecom se centra na retenção e monetização de clientes
Relatório da Anatel aponta também avanço nos acessos de telefonia móvel e banda larga fixa

O setor brasileiro de telecomunicações registrou crescimento moderado e competição cada vez mais centrada na retenção e monetização da base de clientes. A conclusão está no relatório trimestral de monitoramento da competição, referente ao primeiro trimestre de 2026 (1T2026), divulgado pela Superintendência de Competição (SCP) da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Na banda larga fixa, o mercado atingiu 54,6 milhões de acessos, com crescimento anual de 1,3%. O recorte municipal revela desigualdades relevantes, apesar da média do País ter atingido a Meta 8 para o mercado de banda larga fixa (Índice de Herfindahl-Hirschman abaixo de 0,1500). O Brasil ainda apresenta localidades com concentração de mercado, o que reforça a importância de abordagens regulatórias geograficamente orientadas. Nos mercados de conteúdo e voz, a transformação digital se aprofunda. A substituição progressiva dos serviços tradicionais por soluções digitais tem ampliado a pressão competitiva sobre modelos convencionais.
Na telefonia móvel, o Brasil alcançou 271,3 milhões de acessos, com expansão anual de 3%. O segmento móvel atingiu a Meta 9 de concorrência definida pela Anatel (Índice de Herfindahl-Hirschman abaixo de 0,3594). O relatório também destaca a heterogeneidade infranacional: enquanto capitais apresentam maior competição, a maioria dos municípios ainda registra níveis intermediários ou elevados de concentração, evidenciando desafios à competição local.
A principal contribuição analítica desta edição do relatório está na discussão a respeito da abordagem por grupos econômicos estratégicos, evidenciando que a concorrência no setor não é homogênea, mas organizada em agrupamentos de agentes com diferentes capacidades, ativos e estratégias. Adicionalmente, observa-se uma mudança estrutural do eixo competitivo: crescente relevância do B2B como principal fonte de retorno; maior integração com cloud, dados e serviços digitais; e uso de arranjos integrados de conectividade, plataformas digitais, serviços e dados, frequentemente estruturados como ecossistemas, como estratégia de retenção, diferenciação e captura de valor.
Essa nova configuração reforça que a disputa no setor de telecomunicações passa a ocorrer não apenas entre operadoras, mas entre diferentes modelos de negócio e ecossistemas tecnológicos, impondo novos desafios à regulação e ao monitoramento da concorrência no País. O Relatório de Monitoramento da Competição é publicado trimestralmente há dois anos.


