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Data center é infraestrutura crítica e precisa de políticas públicas, reforçam executivos do setor

Painel sobre infraestrutura crítica e hubs regionais no no TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026

O entendimento dos data centers como infraestrutura crítica e as implicações disso para a indústria e para o Brasil; a tendência de descentralização geográfica dos data centers no Brasil, impulsionada pela necessidade de atender à demanda do mercado onde ela está localizada e de estimular a instalação dessa infraestrutura por todo o País; o papel do BNDES no financiamento de projetos de infraestrutura; e políticas públicas foram os principais tópicos debatidos em painel sobre infraestrutura crítica e hubs regionais no no TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, na última quinta-feira (30/4), em Santana de Parnaíba.

“Quando a gente fala de data center, a visão é de que ele é a ponta visível de uma infraestrutura maior, incluindo tudo que se roda dentro dos data centers e os serviços que são exportados”, ressaltou Affonso Nina, presidente-executivo da Brasscom, ao abrir o painel. “Temos de considerar o data center como indutor de desenvolvimento que possa endereçar as desigualdades regionais que temos no País”, acrescentou Andrey Perez, gerente de controle de obrigações de qualidade da Anatel.

A necessidade de políticas públicas que acompanhem o desenvolvimento da infraestrutura digital foi ressaltada diversas vezes. A Anatel, por exemplo, está com uma consulta pública aberta sobre data centers, abordando criticidade, resiliência, segurança, sustentabilidade e eficiência energética. Os painelistas destacaram a importância de um arcabouço legal e incentivos para o setor, especialmente considerando que os data centers nasceram como infraestrutura privada.

A agenda de data center no BNDES, assim como a da Anatel, se insere em aspectos mais amplos. “Uma das diretrizes é o apoio à digitalização e à industrialização da economia. Falar de data center exige também falar das outras camadas. Quem vai levar a IA para ponta são as empresas de tecnologia que estão demandando inovação”, disse Carlos Azen, chefe do departamento de Telecom, TI e Economia Criativa do BNDES.

Somado a isso, a conectividade e o papel dos cabos submarinos são imprescindíveis para garantir a robustez da infraestrutura de telecomunicações do Brasil. A alta conectividade fixa com fibra ótica e a presença de cabos submarinos foram mencionadas como uma vantagem competitiva.

Esse cenário ganha ainda mais força quando se analisa a chegada de tecnologias emergentes, como inteligência artificial e edge computing. A inteligência artificial (IA) foi apontada como um fator que torna o uso dos data centers ainda mais crítico e que impulsionará a demanda por novas aplicações na borda, levando à descentralização. A segurança dos dados no contexto da IA e a soberania digital também foram temas abordados.

Entre os desafios do setor, os executivos apontaram a alta necessidade de energia, a latência na conectividade para aplicações críticas, a burocracia para habilitação de projetos e a ineficiência tributária em comparação com países vizinhos. Como oportunidades, destacaram o potencial de modernização de pontos de presença (POPs) para transformá-los em data centers edge e a vocação do Brasil como hub de processamento de IA para o mundo.

“Data center é ativo estratégico por diversas razões. Vimos, na guerra do Irã, os data centers virarem alvos. E chegamos no Brasil a um ponto de inflexão quando investimentos em infraestrutura digital precisam andar de mãos dadas com políticas públicas, senão o Brasil não participa do xadrez global. Data center precisa ser entendido pelo poder público como ativo estratégico”, reforçou Luciano Fialho, vice-presidente-sênior da Scala Data Centers.

Nessa linha, Rodrigo Abreu, CEO da Omnia Data Centers e sócio para infraestrutura digital do Pátria Investimentos, destacou que o setor de data center ainda está engatinhando no que diz respeito à política pública.

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