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Empresas nacionais ambicionam IA, mas faltam especialistas

A inteligência artificial já é utilizada por 95% das empresas participantes de pesquisa da ABES e da IDC.

A inteligência artificial já é utilizada por 95% das empresas participantes de pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) e da International Data Corporation (IDC), mas a capacidade de ampliar seu uso ainda encontra obstáculos relacionados principalmente à qualificação profissional e à estruturação dos dados.

O estudo “Estratégias Digitais em Alta Performance: os vetores tecnológicos impulsionados pela IA” ouviu 107 empresas com mais de 100 funcionários no Brasil. O público da pesquisa é formado por tomadores de decisão de TI, como CIOs, diretores, gerentes e outros líderes. Entre os respondentes, 98% afirmaram tomar ou influenciar diretamente as decisões estratégicas de tecnologia de suas organizações.

Entre os 5% que ainda não utilizam IA, todos informaram que pretendem adotar a tecnologia nos próximos 12 meses. Não houve respostas indicando adoção apenas nos 24 meses seguintes ou ausência de planos de utilização.

A IA generativa também já entrou nas operações da maior parte da amostra. 86% das empresas disseram utilizar GenAI atualmente, enquanto 12% planejam adotá-la nos próximos 12 meses e 2%, nos próximos 24 meses. Assim, 98% já usam a tecnologia ou pretendem fazê-lo dentro de um ano.

“A IA tornou-se o principal vetor organizador das decisões tecnológicas nas empresas”, afirmou Jorge Sukarie, membro do Conselho da ABES e responsável pelo estudo.

Falta de especialistas lidera obstáculos

A falta de profissionais aparece como o principal entrave à implementação da IA. Metade dos entrevistados aponta a falta de pessoal qualificado especializado, enquanto 43% mencionam a falta de funcionários com as habilidades necessárias para aprender e trabalhar com a tecnologia.

Na sequência aparecem preocupações com perda de dados ou propriedade intelectual decorrente do uso indevido de IA, citadas por 38%, e custo, com 35%. Falta de critérios claros de avaliação das soluções e ausência de governança de IA e gerenciamento de riscos aparecem com 29% cada.

A falta de processos suficientes de governança na base de dados foi indicada como desafio por 18% dos participantes, enquanto 13% mencionaram bases de dados não centralizadas ou não otimizadas na nuvem.

Os resultados sobre preparação das organizações reforçam a diferença entre adoção e capacidade declarada de explorar a tecnologia. No horizonte de 12 meses, 35% se consideram muito preparados e 9% extremamente preparados para aproveitar os recursos de IA, GenAI e agentes, totalizando 44%. Outros 41% se classificam como moderadamente preparados e 15%, como pouco preparados.

Metade ainda tem lacunas na estruturação dos dados

A pesquisa mostra também uma divisão quase equilibrada em relação à maturidade dos dados. 48% das empresas classificam seus dados como um ativo bem estruturado e governado, enquanto aproximadamente 49% dizem trabalhar com informações parcialmente estruturadas e com lacunas. Outros 3% consideram os dados um gargalo significativo para IA.

Na síntese do levantamento, o IDC associa a velocidade de expansão da IA tanto à disponibilidade de talentos especializados quanto à maturidade dos dados. A consultoria destaca que 95% dos participantes já utilizam IA e que 69% possuem plano formal de gastos em IA generativa.

Esse percentual de 69% corresponde às empresas que afirmaram já investir significativamente em IA generativa e possuir um plano de gastos estabelecido para os próximos 18 meses, incluindo treinamento, aquisição de software e serviços de consultoria. Outros 23% disseram realizar testes iniciais e provas de conceito sem plano de gastos definido, e 7% ainda estavam desenvolvendo possíveis casos de uso.

“A IA deixou de ser um projeto experimental para ocupar posição central na estratégia empresarial”, afirmou Fabio Martinelli, analista sênior da área de empresas da IDC Brasil.

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