Fintechs estão mais maduras no uso da tecnologia; 62% usam IA de forma efetiva
A IA deixou de ser um projeto paralelo para se tornar parte integrante do núcleo do planejamento estratégico. Para a maioria das fintechs, a questão não é mais se vão adotar – é como e em que escala

Quando a Pesquisa Fintechs de Crédito Digital, realizada pela PwC Brasil e pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), começou, as primeiras edições apontaram para um mapa tecnológico marcado pela experimentação, com blockchain, IoT, robôs, OCR no radar. Em 2025, esse cenário mudou e o setor convergiu para um conjunto mais reduzido e sólido de soluções, com dois vetores concentrando a atenção nos próximos anos: inteligência artificial e cibersegurança.
Em 2024, 67% das fintechs declararam estar estudando ou desenvolvendo soluções de inteligência artificial. Um ano depois, 62% já utilizam a tecnologia de forma efetiva, e 96% pretendem implementá-la ou expandi-la nos próximos dois anos, o maior índice de intenção já registrado na série. A adoção se organiza em duas frentes: a automação de processos de ponta a ponta, com agentes autônomos em vendas, formalização e cobrança, e o uso da IA no próprio ciclo de desenvolvimento de produtos.
Os autores do estudo analisam que o que mudou em relação a anos anteriores na adoção de inteligência artificial é o grau de comprometimento. A IA deixou de ser um projeto paralelo para se tornar parte integrante do núcleo do planejamento estratégico. Para a maioria das fintechs, a questão não é mais se vão adotar – é como e em que escala.
Ao atingirem um novo patamar de maturidade, as fintechs deixam de basear sua concorrência exclusivamente nas taxas e passam a concentrar seus diferenciais competitivos também na entrega de serviços de qualidade, atendimento superior e relevância das soluções criadas para o cliente.
A 6ª edição da Pesquisa de Crédito Digital, divulgada em meados de julho de 2026, apontou que as fintechs aprenderam, ao longo de quase uma década, o que de fato gera eficiência operacional e estão concentrando recursos nisso. A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar uma prioridade declarada: 62% das fintechs já estudam ou desenvolvem soluções de IA, enquanto 96% afirmam que pretendem implementá-las ou expandi-las nos próximos dois anos. Esse é o maior índice de intenção registrado para qualquer tecnologia ao longo desta série histórica.
Além disso, a cibersegurança, que combina pressão regulatória com riscos operacionais crescentes, segue como o segundo vetor de crescimento em tecnologia, com 23% das empresas planejando fazer novos investimentos nesta área. O movimento também é induzido pelo ambiente regulatório.
No entanto, Pix e open finance recuaram em adoção declarada, passando de 71% para 66% e de 44% para 32%, respectivamente. A queda não significa desinteresse: segundo a pesquisa, ela reflete, de um lado, a concentração de recursos em IA e, de outro, a desaceleração do próprio regulador. O interesse no real digital também esfriou, caindo de 33% para 9% entre as fintechs que planejam adotar novas tecnologias.
Com relação à base de clientes, as fintechs somaram 86,1 milhões de pessoas físicas no Brasil em 2025, um crescimento de 40% em relação a 2024, e 8,7 milhões no exterior, totalizando 94,9 milhões. No segmento de pessoas jurídicas, o crescimento foi de 30%, elevando o total para 72.249 empresas atendidas.
