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Momento atual da banda larga fixa exige gestão profissional e inovação dos ISPs

Painel CEO Talk, no AGC 2026, reuniu lideranças ISPs do País para discutir como a transição do crescimento acelerado para a eficiência operacional define quem permanecerá no mercado

A maturidade do setor de banda larga fixa no Brasil atingiu um novo patamar, exigindo mudanças por parte dos provedores de internet (ISPs). O espírito empreendedor das últimas décadas precisa dar lugar a uma gestão corporativa mais profissional, rigorosa e estratégica. Esse foi o tom do painel CEO Talk, nesta quarta-feira (6/5), no AGC 2026, que reuniu lideranças ISPs do País para discutir como a transição do crescimento acelerado para a eficiência operacional define quem permanecerá no mercado.

O consenso entre os executivos foi que o cenário atual não permite mais amadorismo, especialmente, diante da saturação de algumas praças e da mudança das grandes operadoras nacionais, que aprenderam a atuar nas cidades menores e agora desafiam os provedores regionais em termos de preço e capilaridade — além de conseguirem absorver guerra de preços.

Fabiano Busnardo, CEO da Unifique, trouxe para o debate a perspectiva de quem opera há 29 anos no segmento, comparando a gestão de um ISP a uma maratona. Com a empresa se aproximando da marca de um milhão de assinantes, ele ressaltou que as decisões tomadas quando se tem 100 mil clientes são o divisor de águas para o crescimento sustentável.

Para ele, o administrador deve ter a clareza de que investir para melhorar a gestão não é uma despesa supérflua, mas fundamental para incrementar a competitividade. “Empresa de telecom não morre de ataque cardíaco, mas de câncer silencioso”, alertou Busnardo.

Segundo o CEO da Unifique, uma empresa pode parecer saudável no papel, mas se não reinvestir o lucro para acompanhar a evolução da fibra e dos sistemas, ela estará condenada em poucos anos, a exemplo do que ocorreu com grandes potências do passado.

A trajetória da Brisanet exemplifica essa profissionalização. José Roberto, CEO da companhia, detalhou que o processo de estruturação começou em 2015 com o primeiro balanço auditado, evoluindo em 2020 para a transformação em Sociedade Anônima e a implementação de conselhos de administração e governança.

Sair do modelo familiar foi crucial para atrair mercado e alinhar os nove mil funcionários à estratégia da empresa. José Roberto enfatizou que a inovação é uma constante — passando de ondas de rádio para fibra óptica e evoluções a cada ciclo de quatro anos — e que o maior risco atual é a pressão por um tíquete médio abaixo do valor justo, o que pode inviabilizar o investimento contínuo em infraestrutura e backbone.

Complementando a visão de mercado, Cristiano Santana, CEO da ZaaZ, e Rodrigo Pedrosa, CEO do Grupo DTEL, destacaram a importância dos dados e da agilidade operacional. Pedrosa afirmou que a intuição perdeu espaço para a análise concreta de informações, que ele define como uma “mina de ouro” para decisões assertivas e no tempo correto. Ele admitiu que, se pudesse voltar atrás, teria sido ainda mais ousado no adensamento das cidades em períodos de menor concorrência, já que hoje o mercado exige muito mais esforço para conquistar espaço.

Santana, por sua vez, monitora indicadores em tempo real, como o lucro de serviço diário e o tempo de instalação e reparo, defendendo que a eficiência técnica deve ser acompanhada de um domínio contábil e financeiro para que o lucro seja reinvestido na própria companhia e não apenas retirado pelo dono.

No campo da inovação tecnológica, a inteligência artificial surge como a grande aposta para elevar a produtividade e melhorar a experiência do cliente, reduzindo custos fixos através da automação.

Fabiano Busnardo revelou que a Unifique tem buscado novos caminhos após uma década de tentativas frustradas em escalar serviços de valor adicionado (SVA). O foco atual está na operação móvel, que já representa cerca de 5% a 7% do faturamento e traz um novo impulso ao negócio.

Breno Vale, presidente da Abrint, reforçou a necessidade de um ambiente regulatório equilibrado, onde todos cumpram as mesmas regras, especialmente no que diz respeito ao direito de passagem em postes, um ajuste considerado vital para a organização do setor.

Ao final, os CEOs projetaram um futuro de consolidação. Santana, da ZaaZ, disse acreditar que, embora o mercado vá se ajustar, o número de empresas deve se reduzir drasticamente, restando cerca de cinco mil grupos com capacidade de capturar sinergias e manter a qualidade.

A recomendação final aos empreendedores foi de manter a ambição de crescimento sem cair na ganância, separando rigorosamente as finanças pessoais das empresariais e buscando constantemente novas “caixas de conhecimento” que vão além da técnica, abrangendo o comercial e o financeiro para garantir que o negócio permaneça resiliente diante das próximas ondas tecnológicas.

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