The Shift

A IA vai roubar seu emprego? Calma

Por The Shift

Entre 10% e 15% dos empregos atuais estão realmente vulneráveis à eliminação em quatro a cinco anos, enquanto 50% a 55% devem ser profundamente transformados pela adoção da IA nos próximos dois a três anos. O restante apresenta baixo potencial de automação no curto prazo, de acordo com uma análise do Boston Consulting Group. A Inteligência Artificial, portanto, ampliaria mais capacidades humanas, mudando a natureza das tarefas e criando novas formas de trabalho, como confirma um novo estudo do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT.

O BCG divide em seis categorias de impacto:

  • Funções amplificadas (5% dos empregos). Profissões que dependem de julgamento humano complexo, como engenharia de software ou consultoria jurídica, tendem a ganhar eficiência sem perder relevância.
  • Funções reequilibradas (14%). Aqui, a IA automatiza tarefas rotineiras, mas os profissionais passam a assumir responsabilidades mais complexas, como marketing de conteúdo.
  • Funções divergentes (12%). Tarefas operacionais são substituídas, enquanto funções mais experientes ganham peso. 
  • Funções substituídas (12%). Somente quando a demanda por uma atividade é limitada e a IA automatiza tarefas centrais ocorre redução direta de empregos.
  • Funções habilitadas pela IA (23%). A tecnologia passa a fazer parte do trabalho cotidiano, como técnicos de laboratório ou assistentes clínicos.
  • Funções com baixa exposição (34%). São atividades difíceis de automatizar por dependerem de interação humana ou presença física, como professores e médicos. Nessas áreas, a IA tende a ter impacto limitado no curto prazo.

O relatório alerta que empresas podem reagir inicialmente com congelamento de contratações ou redução de vagas iniciais, enquanto tentam entender como reorganizar a força de trabalho com IA. Mas, no fim das contas, o impacto da IA no emprego deve ser mais estrutural do que destrutivo, com a transformação do conteúdo do trabalho.

A preocupação é com a mobilidade profissional

Embora a substituição direta de empregos seja menor do que se imaginava, há outra preocupação emergente: o impacto da IA nas trajetórias de carreira. Um estudo da Brookings Institution mostra que mais de 15 milhões de trabalhadores norte-americanos sem diploma universitário estão em ocupações altamente expostas à IA. Entre eles, cerca de 11 milhões trabalham em chamados “Gateway jobs”, funções intermediárias que historicamente permitem a transição para empregos de maior remuneração.

Esses empregos funcionam como degraus importantes de mobilidade social, incluindo

  • representantes de atendimento ao cliente
  • assistentes administrativos
  • operadores de escritório
  • cargos de suporte

O problema é que quase metade das trajetórias que levam desses empregos intermediários para cargos de maior renda também apresenta alta exposição à IA. Isso significa que a tecnologia pode alterar não apenas empregos individuais, mas todo o sistema de progressão profissional dentro da economia.

O trabalho reimaginado

Nessa transformação do trabalho, 29% das organizações dizem estar no nível 3, com integração da IA em áreas específicas do negócio e apenas 11% afirmam ter adoção avançada (níveis 4 ou 5), em que a IA já influencia inovação, eficiência ou decisões corporativas.

O relatório “The Reimagined Workplace 2026: Adopting AI Today, Poised for Tomorrow”, do The Conference Board, indica que a crescente discussão sobre habilidades em IA pode valer para novas contratações, mas ainda não é critério determinante para avanço na carreira. Entre lideranças de RH, 56% dizem que a fluência em IA tem pouco ou nenhum impacto em promoções ou sucessão, 25% dizem que é considerada de forma moderada e apenas 19% dizem que é um fator importante ou requisito crítico.

O estudo aponta uma lacuna de percepção: líderes valorizam mais essas habilidades do que muitos profissionais imaginam. Para entender melhor esse cenário de transformação, leia o artigo completo na The Shift.


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