The Shift

O boleto ficou. O Pix acelerou. E o checkout ainda trava

Por The Shift

No início, foi o boleto, a internet por linha discada, a construção da confiança, a longa espera pelo produto. Trinta anos depois da primeira experiência no e-commerce, as compras online no Brasil movimentaram R$ 235,5 bilhões, atraindo 94 milhões de consumidores, segundo dados recentes da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM). Para 2026, a projeção da entidade é de R$ 259,8 bilhões.

Mas de que consumidor estamos falando? Dois estudos lançados na semana passada – o “Panorama E-commerce, da Visa Conecta, e o relatório “CX Trends: a era da sintonização, da Octadesk – jogam luz nos hábitos de compra, processos de pagamento e, especialmente, nos sinais que empresas e marcas precisam prestar atenção.

  • O e-commerce brasileiro chega em 2026 como um hábito “mobile-first”: 79% das transações são feitas via smartphones (58% Android, 21% iOS).
  • As compras online entraram no dia a dia: 86% compram online pelo menos uma vez por mês, e 34% o fazem semanalmente. Geração importa: a compra semanal faz parte da rotina de 45% dos mais jovens.
     
  • O boleto ficou para trás, representando apenas 8% das opções de pagamento. Em 2025, cartão de crédito (47%) e PIX (45%) dominam, sendo o Pix valorizado pela velocidade e praticidade, e o cartão pelo hábito e parcelamento.
     
  • Os marketplaces são o novo shopping center: eles concentram entre 71% e 76% das compras, seguidos pelos sites de lojas e pelas redes sociais ou links diretos.
     
  • A compra online é uma atividade noturna, mais da metade das transações (52%) acontece à noite, quando a rotina desacelera. A Geração Z compra mais à noite, enquanto o público acima de 61 anos compra mais pela manhã.
     
  • O consumidor é movido por prioridades pragmáticas, como frete grátis, qualidade e preço, valorizando marcas que oferecem uma jornada de excelência, pela qual muitos aceitam pagar mais.
  • No entanto, barreiras como custos de envio elevados e desconfiança geram altos índices de abandono de carrinho. Segundo a Visa, 58% das desistências ocorrem na etapa de escolha do método de pagamento (37%) ou durante o próprio pagamento (21%), indicando que a experiência do checkout é um gargalo.

Quando pagamento e confiança geram fricção

estudo “Panorama E-commerce”, da Visa Conecta, instituição de pagamento e hub de inovação da Visa, aprofunda o foco na convivência entre Pix e cartões e nos principais pontos de fricção no momento de finalização da compra. Uma das descobertas importantes: o processo de pagamento “copia e cola” do Pix, que exige sair do ambiente da loja para concluir o pagamento no aplicativo do banco, aparece como um ponto de atrito nas compras feitas pelo celular.

O meio de pagamento brasileiro, que nasceu e escalou vigorosamente desde o início da pandemia, tem um potencial de atratividade que está levando consumidores a pensar em ceder seus dados em troca de um processo mais rápido de fechamento. “Quase 70% consideram que o Pix mais rápido seria melhor, e estariam dispostos a fazer o vínculo da sua conta com o vendedor para ter a compra mais rápida e mais fluida”, diz Leonardo Enrique, diretor executivo da Visa Conecta. E 87% consideram atraente a possibilidade de concluir um pagamento via Pix em poucos segundos.

O estudo da Visa Conecta mostra que 95% dos consumidores já usaram o Pix para compras online, com 78% de satisfação (contra 74% do cartão de crédito). Mas é preciso trabalhar a confiança no processo: a pesquisa mostra que 62% dos brasileiros relataram problemas com golpes e fraudes (enquanto o cartão de crédito aparece com 36%), e 61% relataram um menor índice de satisfação em relação à possibilidade de reembolso.

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