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O pagamento não vai mais esperar você clicar

Por The Shift

O sistema global de pagamentos avança para uma fase operacional marcada por maior autonomia e programabilidade. O estudo “The Future of Money”, da Accenture, realizado com mais de 200 instituições financeiras (IFs), provedores de serviços de pagamento e 200 clientes corporativos, indica que moedas digitais e pagamentos agênticos já impactam decisões de investimento, modelos de receita e gestão de risco no setor financeiro.

Um dos principais achados é o desalinhamento entre a expectativa das empresas e a leitura dos bancos. Enquanto 69% dos clientes corporativos esperam que seus bancos ofereçam carteiras de moeda digital nos próximos três anos, apenas 37% das instituições financeiras avaliam essa demanda como relevante. Em pagamentos internacionais, a migração planejada para carteiras digitais, provedores não bancários e moedas digitais pode deslocar até US$ 5 trilhões em volume transacional até 2028, colocando cerca de US$ 5 bilhões em taxas sob risco direto.

Esse movimento encontra um limite operacional evidente. Quase 8 em cada 10 bancos afirmam que suportar métodos digitais emergentes exigirá esforço substancial, incluindo upgrades de middleware, APIs, automação de compliance e, em alguns casos, modernização do core. O desafio não é apenas tecnológico, mas de priorização estratégica em um ambiente de pressão por custo e margem.

Os pagamentos agênticos já ultrapassaram a fase conceitual. Atualmente, 79% das instituições financeiras pilotam soluções em que agentes de software iniciam e executam pagamentos com mínima intervenção humana. Do lado da demanda, 57% das empresas esperam que esse modelo se torne comum em até três anos, sobretudo em faturamento recorrente, pagamentos a fornecedores, chargebacks e detecção de fraude.

A autonomia amplia a eficiência, mas também o risco. O estudo mostra que 78% dos bancos acreditam que a fraude aumentará significativamente com pagamentos agênticos, enquanto 60% não possuem um plano de resposta forense dedicado para investigar incidentes envolvendo agentes. Ao mesmo tempo, metade das organizações já atualiza seus sistemas para lidar com picos de transações iniciadas por software, refletindo preocupações crescentes com resiliência operacional.

Essas tensões entre eficiência, risco, confiança e regulação são exploradas em maior profundidade no artigo completo, publicado pela The Shift, que detalha como pagamentos agênticos, stablecoins, depósitos tokenizados e disputas regulatórias estão redefinindo o papel dos bancos, das big techs e da infraestrutura financeira global.

No campo das moedas digitais, a adoção ocorre em ritmos distintos. Stablecoins e criptomoedas já estão em produção em parte do mercado, enquanto CBDCs permanecem majoritariamente em testes. Diante dessa incerteza, os depósitos tokenizados emergem como uma escolha pragmática, ao permitir maior eficiência nos ativos já existentes. Ao incorporar identificadores digitais, registros de propriedade e atributos de conformidade diretamente nos ativos, a tokenização tende a simplificar cadeias de liquidação complexas, mantendo essas transações dentro da infraestrutura bancária estabelecida.

Nesse contexto, a convergência entre IA, automação e dinheiro digital começa a se materializar de forma incremental. O primeiro estágio dessa evolução é o chamado dinheiro programável, em que pagamentos deixam de depender de acionamento manual para serem executados automaticamente quando condições específicas forem atendidas, como a confirmação da entrega de uma carga, a digitalização de documentos em um porto ou a validação de uma fatura. Execução condicionada a regras de negócio, dados operacionais e controles de conformidade.

No comércio e nas cadeias de suprimentos, o dinheiro programável viabiliza maior eficiência no uso do capital de giro e maior previsibilidade do fluxo de caixa. Para bancos e empresas, esse movimento desloca o debate de inovação para execução: menos exceções manuais, menor atrito operacional e maior controle sobre risco, liquidez e governança.


Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift. Reprodução autorizada exclusivamente para a Abranet. A reprodução por terceiros, parcial ou integral, não é permitida sem autorização.

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