Cármen Lúcia, do STF: Não podemos ser servis às máquinas. Vivemos um momento gravíssimo
Ao participar da abertura do 6º Congresso da Abranet, a ministra do STF deixou claro que o uso errado da tecnologia, em especial da inteligência artificial, está 'algemando o ser humano pelo mau uso por nós mesmos. A IA nos faz perguntas inéditas que nunca foram feitas, mas temos de usar a tecnologia sem dar privilégio à máquina".

Ao participar da abertura do 6º Congresso Brasileiro de Internet, que acontece nesta terça-feira, 9/6, em Brasília, por meio de vídeo, a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, mandou um forte recado: “A máquina serve ao ser humano, o humano não tem de ser servil à máquina. Somos seres humanos, não somos máquina, já dizia Charles Chaplin, no seu filme Tempos Modernos, feito em 1936. Ficamos dependentes dos algoritmos que conduzem pesquisas e quereres. O tempo passado com as máquinas tem sido maior do que dedicamos à família e aos amigos. A máquina não pode nos desafetar”, pontuou ao falar da mudança provocada pela inteligência artificial.
Segundo Cármen Lúcia, se pensava que as tecnologias garantiriam uma melhor qualidade de vida ao ser humano, “mas estamos sendo tragados por tecnologias que nos levam para dentro de espaços onde a nossa liberdade está sendo algemada por mau uso por nós mesmos”, advertiu. Ainda de acordo com a ministra, a Inteligência Artificial nos faz perguntas inéditas e ainda sem respostas, mas precisa ser baseada em dados verdadeiros e não em informações falseadas. Para a ministra do STF, o falseamento do uso da IA é gravíssimo e desafia o poder judiciário do Brasil e do mundo.
“A IA cria situações como um vídeo que um prefeito me mostrou em 2024 no qual é ele falando que ia acabar com uma comunidade e, simplesmente, não era ele. Esse combate às mentiras é essencial. Eu sou de uma geração que sofreu com a mordaça da ditadura. Não podemos permitir que as telas nos enganem, que roubem a nossa liberdade. Não se constrói um povo democrático para todos dessa forma. As máquinas têm de estar a serviço dos humanos. Um país se faz com abraços e afetos, não com ódio e violência”, pregou, referindo-se à preocupação com o uso da IA nas eleições gerais desse ano.
Cármen Lúcia disse que o Tribunal Superior Eleitoral vai ter que trabalhar mais ainda contra a desinformação este ano. “As tecnologias desserviram e permitiram a propagação de informações falsas. O Centro Integrado de Desinformação estará ainda mais atuante para permitir aos 158 milhões de brasileiros que possam ir votar e termos uma eleição no espaço democrático do direito”, completou. Assista uma parte da apresentação da ministra no 6º Congresso Brasileiro de Internet.

