The Shift

Tecnologia não é mais setor. É critério de sobrevivência

Por The Shift

Durante anos, a tecnologia foi tratada como vertical. Um setor. Uma categoria. Um cluster específico dentro dos relatórios de fusões e aquisições (M&A). Em 2025, essa narrativa mudou: a tecnologia deixou de ser “um setor” e passou a ser a infraestrutura competitiva transversal que sustenta praticamente todas as verticais econômicas.

O relatório “2026 M&A Trends: Navigating a rapidly rebounding market”, da McKinsey & Company, mostra que essa transformação é mensurável. Hoje, 18 indústrias classificadas como “arenas de crescimento acelerado” já respondem por 40% do valor global de M&A. Há 20 anos, representavam apenas 7%. A McKinsey estima que essas arenas podem representar 16% do PIB global até 2040, contra cerca de 4% em 2022. Não é uma tendência de curto prazo. É uma mudança estrutural de alocação de capital.

Essas arenas incluem:

  • Biofarma
  • Serviços de nuvem
  • Semicondutores
  • Software
  • Pagamentos
  • Veículos elétricos
  • E-commerce
  • Eletrônicos industriais
  • Consumer internet

A diferença não está apenas na participação. Está no valuation.

  • EV/EBITDA médio nas arenas: 27,1 vezes
  • Empresas tradicionais: 16,5 vezes

O mercado está pagando prêmio relevante por ativos que combinam tecnologia, escala digital e potencial de transformação estrutural. Em 2025:

  • O valor global de M&A cresceu 43%, alcançando US$ 4,7 trilhões
  • Houve 60 deals acima de US$ 10 bilhões
  • O valor dessas grandes transações dobrou (alta de 112%), chegando a US$ 1,3 trilhão
  • Representaram 28% do valor total do mercado

Mais da metade dos deals acima de US$ 4 bilhões foram consolidações setoriais.

E muitas delas tiveram componente tecnológico relevante, seja para integração de plataformas digitais, expansão de infraestrutura de dados ou ganho de escala em IA. Escala e tecnologia estão andando juntas.

TMT voltou ao topo, IA como ferramenta do deal

Em 2025, o setor de Tecnologia, Mídia e Telecom (TMT) cresceu 61%, atingindo US$ 1,1 trilhão em valor de transações, retomando a liderança global e representando 23% do valor total de M&A. A tecnologia deixou de ser um vetor de expansão. Tornou-se requisito básico de sobrevivência competitiva.A análise da McKinsey revela que parte relevante desse crescimento não é mais “tech comprando tech”. São empresas de Energia, Manufatura, Serviços Financeiros, Saúde e Consumo comprando tecnologia para proteger margens, ganhar produtividade e construir novas plataformas operacionais.

Talvez a mudança mais profunda esteja não em “quem compra”, mas “como” as fusões e aquisições estão sendo feitas. Segundo o relatório:

  • Ciclos de M&A estão 10% a 30% mais rápidos com uso de IA
  • Custos de transação caíram cerca de 20%
  • Em integrações, mais de 50% das tarefas poderão ser conduzidas por IA Agêntica

A identificação de alvos evolui de processo reativo para sourcing contínuo orientado por dados. A IA virou ferramenta operacional do próprio mercado de M&A. Isso altera completamente a dinâmica competitiva: quem domina analytics, automação e modelagem preditiva ganha vantagem não apenas no ativo adquirido, mas na execução da transação.

O que esperar em 2026?

O relatório projeta continuidade do impulso que estamos vendo, mas com algumas camadas adicionais de sofisticação:

  • Consolidação disciplinada. Empresas líderes aumentaram sua participação em deals acima de US$ 5 bilhões para 25%, ante 17% em 2020. O movimento tende a continuar.
  • Portfólios mais dinâmicos. Desinvestimentos cresceram 30%, atingindo US$ 1,6 trilhão, o maior nível desde 2021. Separar ativos menos estratégicos virou tão importante quanto adquirir.
  • Geopolítica como variável estrutural. Empresas estão criando “geopolitical nerve centers” para antecipar riscos e oportunidades. M&A deixa de ser apenas oportunidade e passa a ser instrumento de adaptação sistêmica. 
  • Infraestrutura de IA como prioridade. Nos EUA, grandes empresas de tecnologia devem investir quase US$ 400 bilhões em infraestrutura de IA. Em algumas estimativas, a IA respondeu por 40% do crescimento do PIB norte-americano no último ano.

Considerando que em muitos setores M&A se tornou mecanismo central para construir resiliência, capturar produtividade e reposicionar o modelo de negócios, também é o principal instrumento para adquirir, integrar e operar tecnologia como infraestrutura competitiva.

Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift. Reprodução autorizada exclusivamente para a Abranet. A reprodução por terceiros, parcial ou integral, não é permitida sem autorização.

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