IA não é a responsável pela mudança climática, mas impacta o meio ambiente
3º Seminário do Observatório Brasileiro de Inteligência Artificial debate sustentabilidade, governança e estado da IA no Brasil

Ao abrir o 3º Seminário do Observatório Brasileiro de Inteligência Artificial (OBIA), que debate sustentabilidade, governança e estado da IA no Brasil, Luiz Alexandre Costa, gerente do OBIA, falou sobre o cenário global das mudanças climáticas e a contribuição da IA nas estratégias para adaptação.
“A inteligência artificial não é a responsável pela mudança climática, mas muito tem se falado sobre os impactos que a IA provoca no meio ambiente com seu crescimento vertiginoso, a demanda enorme por data centers de alta capacidade, que são grandes provocadores de consumo de energia elétrica na região. Mas também não podemos deixar de mencionar o quanto a IA tem colaborado e sido fundamental para solucionar esses mesmos problemas, não apenas na sustentabilidade como também em outras áreas”, enfatizou.
Promovido pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o seminário aborda temas como os impactos climáticos da tecnologia, a gestão de riscos por meio de incidentes e o estado da capacitação nacional no setor.
Também na abertura, Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br, destacou que o papel do observatório é de colher informações para que políticas públicas sejam feitas na área. “O lado IA é que nós temos uma situação de mudança no mundo bastante séria e complexa que não se pode ignorar”, apontou, ressaltando que é importante ter noção do que está pela frente.
“As opiniões variam muito e nossa posição aqui é recolhê-las e criar um ambiente de discussão para ver o que disso é útil, o que nos embota a visão de senso crítico e de realidade e como podemos usar sem ser enfeitiçado pela magia que isso traz”, disse.
Falando mais com o chapéu do Ministério da Ciência e Tecnologia, Renata Mielli, que também é do CGI.br, corroborou a fala de Getschko sobre o papel do Obia de fomentar um ambiente de recolher as informações sobre uso e desenvolvimento da inteligência artificial no Brasil e os impactos que ela gera. Lembrou ainda que a primeira menção do Obia aparece na estratégia brasileira de inteligência artificial, depois foi reafirmada no contexto do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
“Obia tem papel essencial na observação, na organização dos indicadores para subsidiar políticas, seja na perspectiva da sociedade como todo, seja do Estado para elaboração de políticas públicas”, disse, completando que é necessário avaliar sob perspectivas otimistas e pessimistas para se construir “uma agenda humana sobre uma tecnologia que não é neutra”.
Com relação à soberania, Renata Mielli avaliou que há várias dimensões, sendo uma delas a de o Brasil ter mais capacidade de desenvolvimento próprio. “Soberania é desenvolver mecanismos de cooperação e transferência tecnológica com outros países e Obia nasce com forte cooperação internacional”, salientou.


